Policiais civis de São Paulo foram chamados no início de julho deste ano para acompanhar o sequestro relâmpago da filha de um diretor aposentado do Bradesco. Amenina estava desaparecida há seis horas e R $51.000 já haviam sido transferidos de suas contas através do Pix para dois estranhos.
A investigação dos documentos utilizados para a abertura das contas levou a polícia a um endereço em Guarulhos onde, segundo os autos, os investigadores encontraram Willian Anastácio da Silva, 24 anos, que admitiu que as contas com nomes de laranjas estavam para alugar.
Ele faz parte de um intenso mercado de aluguel ilegal de contas bancárias que alimenta uma série de crimes cometidos com Pix em São Paulo, como sequestros, roubos e golpe.
São chamados de “conteiros” e ficam com parte do valor depositado pelos criminosos que cometeram os crimes.
O percentual varia entre 5% em função do valor repassado pelos criminosos, segundo a polícia. “A prática que se usa no mundo do crime é de 10% tudo o que é depositado. Se o fraudador depositar R$ 1.000, o dono recebe R$ 100”.
O número de crimes cometidos com Pix disparou, de dezembro de 2020 a julho deste ano, foram registrados 202 crimes, desde roubo a sequestro relâmpago.
Existem dois tipos de contas que são utilizadas pelos “conteiros” neste mercado criminoso: contas quentes, onde o próprio toma emprestado a sua própria conta para receber dinheiro, e contas frias, que são utilizadas pelos criminosos nos dados pessoais do pessoas inocentes.
A proporção estimada de que 70% são constas quentes, em comparação com uma média de 30% de pessoas que são genuinamente inocentes e que acabam com os nomes usados para abrir contas fraudulentas.
Contas fraudulentas são quase sempre abertas em bancos digitais. Pois eles cometem muitos erros na validação dos titulares das contas. Eles pedem documentos, identidades com foto. Depois, comparam as fotos, mas os criminosos trocam as fotos pelos rostos de outras pessoas.
Nas redes sociais são utilizadas: Você precisa de dinheiro? Você tem uma conta corrente? Entre em contato você coloca X na sua conta, fica com 10%, ou fica com 5%‘. No fundo, a pessoa sabe que a origem não pode ser legal.
Os donos das contas disseram à polícia que precisavam de dinheiro e não sabiam que os criminosos iam cometer crimes graves, consideraram isso imoral mas não ilegal. Essa alegação, porém, não os livra de problemas.
Do ponto de vista técnico e jurídico, entendemos que as pessoas que responsabilizamos criminosos são cúmplices do sequestro. É um elo de uma corrente sem o qual não haveria crime. Ele não é apenas um destinatário que lucra com o produto do crime. O ‘Conteiro‘ é um elo da própria quadrilha.
Muitas das pessoas que prestam contas estão vinculadas a criminosos como amigos e familiares, pelos quais, caso sejam identificados, também são responsáveispelos crimes de extorsão e associação criminosa, com penas de 16 anos de prisão.
Os “conteiros” ganham em média entre R $ 1.000 e R $ 2.000 por envolvimento em crimes. Pode parecer uma coisa boa para quem se deu ao trabalho de tirar o dinheiro do banco e ficar com R $ 1.000, mas vai ficar caro.
Não paga nem parte do advogado e o tempo de cadeia. E, na verdade, eles são os mais fáceis de serem identificados.
Se a pessoa sabe que está fornecendo a conta para uma atividade ilícita, faz parte da quadrilha.
Muitas contas laranja são criadas com informações vazadas na internet, mas não existe uma central de atendimento que o cidadão possa consultar para saber se seu nome está nesta maneira foi usada.
O banco central também oferece uma ferramenta para visualizaras contas bancárias abertas no mesmo CPF.
Aas contas são pessoais, intransferíveis e nunca devem ser compartilhadas com ninguém, sendo que qualquer crime cometido com o uso dessas contas será de responsabilidade do titular da conta.

