Desde 2025, trabalhadores com carteira assinada passaram a ter acesso a um novo tipo de empréstimo, o consignado CLT, contratado pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital e pelos bancos, com desconto direto no salário. A procura foi alta, e com ela vieram as dúvidas: os juros são justos? O que acontece se eu for demitido? Dá para revisar o contrato?
O que é o consignado CLT
O chamado Crédito do Trabalhador foi criado pela Medida Provisória 1.292/2025. Ele permite que empregados do setor privado contratem empréstimo com as parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento. Como o desconto é automático, o risco para o banco é menor e, em tese, os juros deveriam ser menores do que os do crédito pessoal comum.
Pontos principais:
- As parcelas são descontadas do salário, dentro de um limite de comprometimento da renda (margem consignável);
- Parte do saldo do FGTS e da multa rescisória pode ser dada como garantia;
- A contratação pode ser feita pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, que mostra ofertas de diferentes bancos.
Por que comparar as taxas antes e depois de contratar
As taxas variam bastante de um banco para outro. Antes de contratar, compare o Custo Efetivo Total (CET) das ofertas, e não só o valor da parcela. Parcela baixa com prazo longo pode significar um custo total muito maior.
Se você já contratou, vale conferir a taxa do contrato com as médias que o Banco Central divulga para o consignado de trabalhadores do setor privado. Uma taxa muito acima da média é um sinal de alerta que merece análise. Veja o passo a passo em como saber se os juros do seu empréstimo estão acima da média.
O que acontece se eu for demitido
Em caso de desligamento, as regras do programa permitem que parte das verbas rescisórias e a garantia do FGTS sejam usadas para abater o saldo devedor. O que sobrar continua sendo uma dívida com o banco, que pode ser renegociada. Por isso é importante saber exatamente o que foi dado como garantia no contrato.
Quando o contrato pode ser questionado
- Juros muito acima da média de mercado para a mesma modalidade e período;
- Seguros ou tarifas incluídos sem contratação clara;
- Descontos acima da margem permitida ou sem autorização;
- Falta de informação clara sobre o CET e as condições do empréstimo.
Cada um desses pontos depende do contrato e precisa ser analisado caso a caso. Conheça o nosso trabalho em revisão de contratos bancários.
Consignado CLT ou crédito pessoal: qual a diferença?
No crédito pessoal comum, o pagamento depende de boleto ou débito em conta, e o banco corre mais risco de não receber. Por isso, as taxas tendem a ser mais altas. No consignado CLT, a parcela sai direto do salário e ainda pode haver garantia do FGTS, o que reduz o risco do banco. Em tese, isso deveria se refletir em juros menores. Na prática, as ofertas variam bastante, e comparar continua sendo essencial.
Checklist antes de contratar o consignado CLT
- Compare o CET de pelo menos três ofertas, não apenas a parcela;
- Confira quanto do salário ficará comprometido, somando outros descontos que você já tem;
- Veja se o contrato inclui seguro ou tarifas e se eles são opcionais;
- Entenda o que acontece com o saldo devedor em caso de demissão;
- Guarde uma cópia do contrato e das condições aceitas no aplicativo.
Mais de um empréstimo descontado no salário?
Quando o consignado CLT se soma a outras dívidas, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal, e quase nada sobra do salário, a situação pode se enquadrar na Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021), que prevê a repactuação das dívidas preservando o mínimo existencial.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso concreto. As regras do programa podem ser alteradas por novas normas.

