Quem tem um empréstimo pessoal, um cartão de crédito ou um cheque especial geralmente sabe quanto paga por mês, mas não sabe qual é a taxa de juros do contrato. Essa informação é o ponto de partida para saber se há juros abusivos no contrato ou se a cobrança está dentro do que se pratica no mercado.
Onde encontrar a taxa do seu contrato
Todo contrato de crédito deve informar, de forma clara:
- Taxa de juros mensal e anual;
- Custo Efetivo Total (CET), que soma juros, tarifas, seguros e impostos da operação. A obrigação de informar o CET vem de norma do Conselho Monetário Nacional (Resolução CMN 3.517/2007);
- Valor liberado, número de parcelas e valor de cada parcela.
Se você não tem o contrato, pode pedir uma cópia ao banco. Em muitos casos ele também fica disponível no aplicativo.
Como comparar com a média de mercado
O Banco Central publica em seu site as taxas médias de juros praticadas pelos bancos em cada tipo de operação: crédito pessoal, consignado, cartão rotativo, cheque especial, financiamento de veículos e outras. Com a taxa do seu contrato em mãos, dá para comparar com a média da mesma modalidade, no mesmo período em que o crédito foi contratado.
Juros acima da média são sempre abusivos?
Não necessariamente. O Superior Tribunal de Justiça entende que juros acima de 12% ao ano, por si só, não indicam abusividade (Súmula 382 do STJ). Em julgamento de recursos repetitivos (REsp 1.061.530/RS), o tribunal definiu que a revisão dos juros é possível quando a taxa contratada fica muito acima da média de mercado e a abusividade fica demonstrada no caso concreto.
Em outras palavras, a comparação com a média do Banco Central é um indício importante, mas a conclusão depende da análise do contrato inteiro.
O que mais pode ser analisado no contrato
- Tarifas e seguros incluídos no valor financiado, como seguro prestamista, que precisam ter sido contratados de forma clara;
- Capitalização de juros (juros sobre juros), que é permitida quando prevista no contrato, mas precisa estar expressa;
- Encargos de atraso, como multa, juros de mora e comissão de permanência, que têm regras próprias.
Quanto os juros abusivos pesam na parcela: um exemplo
Para ter uma ideia do impacto da taxa, veja um exemplo ilustrativo de um empréstimo de R$ 10.000,00 pago em 48 parcelas, sem considerar tarifas e seguros:
| Taxa de juros | Parcela mensal | Total pago |
|---|---|---|
| 2% ao mês | R$ 326,02 | R$ 15.648,88 |
| 4% ao mês | R$ 471,81 | R$ 22.646,71 |
No exemplo, dobrar a taxa mensal faz o total pago subir cerca de R$ 7.000,00. Os números são apenas ilustrativos e não representam nenhum contrato real; as taxas de mercado variam conforme a modalidade e o período.
Sinais de juros abusivos no contrato
- A taxa mensal fica muito acima da média do Banco Central para a mesma modalidade e época;
- O CET é bem maior que a taxa de juros informada, sinal de tarifas e seguros embutidos;
- A dívida cresce mesmo com as parcelas sendo pagas em dia;
- Você não recebeu cópia do contrato ou não consegue identificar a taxa cobrada.
E se o contrato já foi quitado?
Contratos já pagos também podem ser analisados. Se houver cobrança indevida, pode existir direito à devolução dos valores, observados os prazos previstos em lei.
Antes de decidir qualquer coisa
Ação revisional não é a resposta para todo contrato. Em alguns casos a taxa está dentro do padrão e o melhor caminho é outro, como a portabilidade da dívida ou uma renegociação. A análise individual serve justamente para indicar o que faz sentido para você. Conheça o nosso trabalho em revisão de contratos de cartão, cheque especial e empréstimo. Quando são várias dívidas ao mesmo tempo, leia também sobre a Lei do Superendividamento.
A Colombari Advocacia atua em Direito Bancário, com atendimento 100% online. Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp e envie o seu contrato para análise.
Este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso concreto.


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